PEQUENA

HISTÓRIA

DO ESPERANTO

UM CORDEL DO

LEITE JR


 

Nestes versos populares,

O Esperanto é o tema.

Espero que Deus me ajude

Com sua luz neste poema,

Trazendo a inspiração

Na palavra e na noção

Sobre esse belo sistema.

 

O Esperanto é uma língua

Hoje mais que centenária,

Foi criado na Polônia,

Numa intenção libertária,

Por Lázaro Ludovico

Zamenhof, a quem dedico

Esta história doutrinária.

 

E essa língua apareceu

Num livro pequeno e enxuto:

Tamanho não é documento,

O que importa é o produto.

Dezesseis regras somente

Resumiam a semente

Daquele fecundo fruto.

 

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No ano de 87

Do século XIX,

Pôde o mundo conhecer

A língua de Zamenhof,

Sobre a qual este poeta,

De forma simples, direta,

Vai falar em cada estrofe.

 

De família polonesa,

Descendente de judeus,

O menino Ludovico

Sempre surpreendeu os seus,

Tendo sido exemplar

Nos estudos e no lar,

Onde havia fé em Deus.

 

Zamenhof, polonês,

Praticando a medicina,

Receitou o Esperanto

Contra o mal que se origina

Com a Torre de Babel,

Quando o homem ousou o céu,

Sem a permissão divina.

 

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Cada povo tem sua língua,

Seu costume e sua cultura.

A diversidade é tanta

E há tanto tempo perdura,

Que romper coma maldição

E ousar com um mundo são

É que parece loucura.

 

Na Bialistoque natal,

Falava-se polonês,

Russo, alemão, lituano,

Fora o ensino do francês,

Do latim e do hebraico,

No religioso ou laico,

Quantas línguas de uma vez!

 

Cada falante queria

Impor o seu pensamento

E a sua religião.

Que ódio no sentimento

Dessa cidade polaca...

O resultado era a faca,

No menor ressentimento.

 

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Ludovico Zamenhof

Desde cedo percebia

Que na fronteira da língua

Muita batalha haveria.

Inconformado, ele, então,

Procurou a solução

Numa língua de harmonia.

 

E tanto isso é verdade,

Que o jovem polonês,

Ainda na adolescência,

Dedicou-se até que fez

Um livro com a língua nova.

Estava ali sua prova

De gênio e de sensatez.

 

Feliz, reuniu amigos,

Com os quais comemorou,

Soprando a vela do bolo

Que sua preparou.

De alegria ele exultava,

Pois seu sonho ali estava:

Num livro se transformou.

 

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A Língua Internacional

Por ele foi batizada.

A sua idéia visava

A todos ser repassada,

Traduzindo a união

A todo povo e nação,

Numa língua planejada.

 

Mas o pai de Ludovico

Achou o projeto estranho.

Como é que alguém pensava

Tão grande desse tamanho?

Como é que um rapaz

Podia pensar em paz

Nesse mundo tão medonho?

 

Santo de casa não faz

Milagre, já diz a gente.

A voz do pai, preocupado,

Ganhou eco maldizente.

Houve conselho contrário

Àquele plano gregário

Do gênio do adolescente.

 

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Assim o pai lhe pediu,

E jovem era obediente,

Que adiasse mais um pouco

Seu projeto persistente;

Mas, depois da medicina,

Se aquela fosse sua sina,

Que ele seguisse em frente.

 

Então, Ludovico foi

Estudar na faculdade.

O curso de medicina

Fez com zelo e propriedade.

Conforme foi prometido,

Adiou o seu sentido

De ajudar a humanidade.

 

Numas férias, no entanto,

Estando em casa outra vez,

Perguntou pelo seu livro

E um silêncio então se fez.

Vendo que o filho sofria,

A mãe disse que um dia

Do livro o pai se desfez.

 

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O pai acabou queimando

A obra que o rapaz

Escrevera com esmero,

Dedicando-se tenaz

Ao que então se consumira

Numa incompreensível pira,

Pois sonho não se desfaz.

 

Tendo o pai rompido o trato,

Zamenhof redobrou

Seu esforço ano a ano,

Até que ele terminou

Uma versão mais madura

Da obra que, prematura,

O seu pai incendiou.

 

A chama do sacrifício

Incendiou-lhe o ideal.

Pediu ao futuro sogro

O apoio editorial

Para lançar o Esperanto;

E fogo nenhum foi tanto,

Que apagasse esse fanal.

 

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A Europa ficou pequena

Pra tamanha expansão.

Antes do século XX,

Em constante progressão,

Não restou mais continente

Sem que a estrela reluzente

Brilhasse na escuridão.

 

O livro de 87,

Em russo, no original,

Teve nesse mesmo ano

Versão internacional,

Publicado em polonês,

Em alemão e francês,

Mantendo aceso o ideal.

 

Na língua da esperança,

Publicaram-se revistas.

Nova língua se falava

Nos clubes esperantistas.

Obras se traduziam,

E outras se produziam

No Esperanto entre os artistas.

 

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Dezoito anos passados

Desde o livro original,

Realizou-se o congresso,

O primeiro universal,

Em Bolonha-Sobre-o-Mar.

Foi um evento sem par

No plano internacional.

 

Zamenhof lá esteve,

Ensinando sobre a essência

Do projeto que criou.

Por seu gênio e competência

Foi aplaudido e aclamado,

O patrimônio legado

Manteria a consistência.

 

E os anos que viveria

Zamenhof,com firmeza,

A missão continuava

No argumento e na franqueza.

A luta do Esperanto

Podia evitar o pranto

Da guerra e da malvadeza.

 

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Apesar de tanto esforço

Em prol da paz e do amor,

A Primeira Grande Guerra

Trouxe um tempo de terror.

Até mesmo o Esperanto

Sofreu baixas, não o encanto,

Na morde do criador.

 

Em 17 morria

Com desgosto, certamente,

Zamenhof em plena guerra,

Mas deixou a toda a gente

O exemplo e a atitude

Pra que a humanidade mude

Superando-se na mente.

 

Outra guerra mundial

O mundo consumiria,

Dizimando tantas vidas,

Como nunca se veria.

Na Polônia, em holocausto,

Muito Zamenhof infausto

A morte conheceria.

 

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Hoje a Unesco reconhece,

No seio da humanidade,

O valor do Esperanto,

Em cuja comunidade

Permanece o idealismo

E o mesmo altruísmo

Da originalidade.

 

Que esta mensagem alcance

Com a luz da verde esperança

Mais lutadores na causa

Da harmonia e da bonança.

Que a Babel globalizada

Seja logo superada

Pela fraterna aliança.

 

Ludovico Zamenhof,

Ensinou o Esperanto.

Irmanados no idioma,

Trabalhemos nós, portanto,

Em prol de um mundo novo,

Juntos, como um só povo,

Remido de guerra e pranto.

 

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Autor: Leite Jr.

leitejr@uol.com.br

leitejr@ufc.br

 

Porto Alegre, 19 de julho de 2005.

XL Congresso Brasileiro de Esperanto

 

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Leite Jr. (José Leite de Oliveira Junior)

Professor do Curso de Letras da Universidade Federal do Ceará, onde ensina Literatura Portuguesa, na graduação, e coordena o Curso de Esperanto, na extensão. Doutorando em Letras. Prêmio Ceará de Literatura de 1993. Professor de Português para concursos por 30 anos. Redator publicitário e revisor. Artista plástico, criador de projetos editoriais. Esperantista delegado da Universala Esperanto-Asocio, sócio da Brazila Esperanto-Ligo e da Cearaa Esperanto-Asocio.